quinta-feira, fevereiro 02, 2006

O prazer é todo meu!


Meu trabalho é noturno, trabalho sábados, domingos e feriados. Ganho bem. Ganho por casal. Só trabalho com casais, é imprescindível. Esse lance de trabalhar com programas me deixa um pouco cansada e sem vida social, pois acabo não tendo muito tempo pra mim, já que me dedico muito aos casais. Estressa. Mas é gratificante saber que realizei os desejos dessas pessoas, e que muitas vezes esses momentos que passaram comigo fizeram com que seu casamento voltasse a ter magia.
Vou explicar...
Antes de tudo, a aparência conta muito, é necessário que eu esteja muito bem arrumada e cheirosa, já que vou me relacionar com casais qualificados. Então, definamos “qualificados”, são pessoas casadas com renda média mensal acima de R$7.000,00. Nem muito novos, pois não teriam disponibilidade financeira para o que estou oferecendo e nem muito velhos, pois não se interessariam, já que, fisicamente falando, não têm mais o mesmo vigor para o que pretendo que eles façam. Então as idades precisam estar entre 30 e 60 anos.
Tudo começa assim que o casal chega ao hotel. Vou até eles e apresento-me com muito prazer! Levo-os a mesa que reservei pra nós. Eles ficam um pouco sem graça, pois é sua primeira vez nesse tipo de encontro, mas eu já fiz isso antes e tento relaxá-los descontraindo-os com um bate-papo inicial, onde procuro descobrir mais sobre eles e também deixo que descubram sobre mim. É necessário. Pois preciso saber como conduzir com eles. Fazemos um pacto de sinceridade e depois já engreno com as preliminares, eles já estão relaxados e aceitam tudo numa boa. O ato vai durar uma hora e meia, é o tempo que tenho disponível pra esse casal. Não é assim, não! Sou uma pessoa ocupada e ainda terei que atender outro casal na mesma noite. Mas no máximo dois, senão canso. Sem contar que ganho muito bem se conseguir satisfazê-los com o programa. Por isso preciso fazer bem feito.
Durante todo tempo a conversa flui de forma envolvente e nós três, entre uma bebida e outra, ficamos tão íntimos que esquecemos que existem outras pessoas ao nosso redor que estão nos observando. O apogeu do nosso encontro é quando consigo fazer com que eles se vejam fazendo aquilo que estou propondo, e eu faço de tal forma, que até saem de si, suspiram e participam ativamente. Contam suas experiências anteriores, eu conto as minhas e sugiro novas oportunidades, lhes mostro um mundo que não conheciam que faz com que eles se empolguem e também deixem sua imaginação fluir. É um momento mágico! E é um ponto decisivo pra que eles se tornem clientes e queiram permanecer conosco. A satisfação pessoal.

Logo depois sugiro irmos para o quarto. No instante em que entramos no quarto e fechamos a porta, eles já estão querendo muito e aquele é o momento em que eles realmente irão entrar no clima do programa, ali eles têm algo palpável, algo que podem tocar e sentir que poderão ter muitas outras vezes. Basta querer. E eles querem! O que acontece lá dentro é indescritível e só depende de mim! Não posso deixá-los saírem do clima. Senão já era! Mas consigo ir até o fim. E mais! Ainda consigo fazer com que eles aceitem a introdução de uma quarta pessoa, que acaba sendo o momento mais esperado da noite, ou a melhor parte! É a pessoa que irá finalizar e levar-nos ao clímax! Agora sim eles conseguem relaxar! E percebem que era exatamente isso que estava faltando em suas vidas, esse tempero para seu casamento. O casal já está tão envolvido comigo e com tudo que aconteceu, que faz um acordo ali, na hora e compromete-se a usufruir desses momentos pelos próximos dez anos, e ainda por cima, em outros lugares e países, experimentando coisas novas e até convidando outros casais pra participarem também, só pra não cair na rotina. Meu trabalho é um tanto quanto diferente, eu diria mais, intrépido, mas enfim, prazeroso.
Bom! Consegui! Vendi mais um programa de férias! Então, celebremos com champagne e bolinho de bacalhau.

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