quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Escrevo.


Escrevo porque gosto. Porque sei. Porque quero. E acima de tudo porque me realizo. Alguns sentem prazer em comprar, em ser presenteado, em ajudar os outros, em ganhar dinheiro, no sexo. Eu sinto prazer em escrever. Não que não sinta prazer com as coisas anteriormente citadas, só se fosse louca! E principalmente a última, mas o que me faz sentir capaz mesmo é conceber um texto, uma crônica, um conto, uma história, um hai-kai, uma poesia, um roteiro, ou seja lá qual for sua designação. Um texto bem escrito, é claro! Um texto que, após ter sido lido, seja possível refletir, ou gargalhar, ou chorar ou ainda sentir aquelas palavras entrarem em sua alma e lhe arrancarem o ar dos pulmões.
Escrevo sobre qualquer coisa, sobre tudo e sobre mim. Não gosto de escrever por obrigação, perde a graça. As palavras precisam ter liberdade pra criar vida na hora certa. Então elas correm soltas pelo papel e vão se entrelaçando até formarem frases. E é com essas frases que surgem os grandes textos, não apenas da junção delas, mas da arte de interligá-las. Uma frase pode não dizer nada quando está solta ou dizer algo se escrita com paixão. Mas quando estão juntas podem dizer tudo. Essa é a magia do texto, é começar a escrever e não conseguir parar enquanto não tiver alma própria. É começar a ler e não querer parar enquanto não terminar. Se não for assim, é porque não foi bem escrito. Pouco importa se é curto ou extenso, se em letras miúdas ou em neon, mas sim o conteúdo, a alma.
Escrevo, sobretudo, porque gosto de ler. E escrevendo, preciso ler várias vezes até que o texto fique aceitável. Gosto de saber que existem no mundo pessoas como eu, que concordam que escrever é uma arte que pode definir todas as outras formas de arte. E que na verdade somos artistas que lançam aos olhares curiosos, através de frases conglomeradas, o que possuímos de mais precioso dentro de nós. Decididamente, escrever é um dom. Talvez não possua vocação para mais nada nessa vida, mas se eu puder continuar escrevendo, já me basta.

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